Ninguém

Ninguém, antiga malícia, ninguém,

Assedia sempre com um corpo ausente


Ninguém a subir a estrada, ninguém,

Como um homem alto de manto escuro, ninguém


Ninguém dentro da casa, ninguém,

Como crianças a subir à socapa a escada, ninguém


Ninguém em lado algum no jardim, ninguém,

Como uma jovem encontrada a bordar, ninguém


Ninguém a vir, ninguém, ainda não aqui,

Incessantemente acolhido pelo ouvido desperto


Até que esse ninguém consinta em morrer,

Sob a sua maldição todos devem jazer -


A maldição da sua inveja, da sua dor e medo,

De violações e assassínios súbitos gritados na noite




Robert Graves in Collected Poems 1959, Cassel & Company Ltd, 1959.

Versão Portuguesa de © Luísa Vinuesa