Cavalo
O que te dá o cavalo Que não possa dar-te? Vejo-te quando estás sozinha, Quando entras no campo atrás da leiteria, As tuas mãos enterradas na crina escura Da égua. Então sei o que esconde o teu silêncio: Desprezo, ódio por mim, pelo casamento. Ainda, queres que te toque; gritas Como as noivas gritam, mas quando olho para ti vejo que não há crianças no teu corpo. Então o que há? Nada, penso. Só a pressa De morrer antes de eu morrer. Em sonhos, vi-te montando o cavalo Sobre os campos secos e a seguir Desmontar: os dois caminharam juntos; No escuro, não tinhas sombras. Mas senti-as vindo na minha direcção Já que à noite viajam a qualquer lugar, São senhoras de si mesmas. Olha para mim. Pensas que não entendo? O que é o animal Senão uma passagem para fora desta vida? Louise Glück poems | Poemhunter.com The World's Poetry Archive, 2004. Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa