Ganhando a Vida
Jonas ganhava a vida dentro da barriga. A minha vem exatamente do mesmo lugar. Jonas abriu a porta da sua cabine e disse: "Aqui estou!" e a baleia gostou disso e pensou em acolhê-lo. Na boca Jonas gritou. No estômago foi humilhado. Não batia nas paredes. Nem chupou o dedo. Inclinou a cabeça com atenção como um réu no seu próprio julgamento. Jonas roubou a carteira do pai e tentou contar o dinheiro e foi tudo abafado. Jonas tirou a fotografia da mãe e tentou beijar os olhos e foi tudo abafado. Jonas tirou o casaco e as calças, a gravata, a corrente de relógio, os botões de punho e desistiu deles. Sentou-se como um banhista antiquado em camisa interior e cuecas. Esta é a minha morte, Jonas disse em voz alta: e será proveitoso para mim entendê-lo. Vou anotar mentalmente cada detalhe. Pequenos peixes nadaram junto ao nariz, sentiu e tocou a sua pequenez. O plancto veio e segurou-os na mão como lâmpadas mínimas de Deus. Todo o passado estava aí consigo e devorou-o. Nesse momento a...