Parábola da Pomba
Uma pomba morava numa aldeia. Quando abriu a boca a suavidade saiu, um som como uma luz prateada em redor do ramo de cereja. Mas a pomba não estava satisfeita. Viu os aldeões reunidos para a ouvir sob a árvore em flor. Não pensou: sou mais alta do que eles. Queria estar entre eles, experimentar a violência do sentimento humano, em parte por causa da sua canção. Então tornou-se humana. Encontrou paixão, encontrou violência, primeiro em simultâneo, depois como distintas emoções e essas não eram pautadas pela música. Desse modo mudou a sua canção, as doces notas do seu desejo de se tornar humana estagnaram amargas. Então o mundo recuou; o mutante caiu de amor como o galho da cereja, caiu ensanguentado como o fruto da árvore. Assim, é verdade afinal, não meramente uma regra de arte: muda a tua forma e mudarás a tua natureza. E isso faz-nos o tempo. Louise Glück poems | Poemhunter.com The World's Poetry Archive, 2004. Versão Portuguesa © Luísa ...