Nocturno
A mãe morreu ontem à noite, A mãe que nunca morre. O inverno andava no ar, ausente muitos meses mas no ar, apesar de tudo. Era dez de Maio. A flor de jacinto e maçã floresceu no jardim dos fundos. Pudemos ouvir Maria cantar canções da Checoslováquia - Como estou sozinha - canções desse tipo. Como estou sozinha, sem mãe, sem pai - o meu cérebro parece tão vazio sem eles. Aromas flutuaram para fora da terra; os pratos estavam no lavatório, lavados mas não empilhados. Sob a lua cheia Maria dobrava a roupa; os rijos lençóis tornaram-se brancos rectângulos secos ao luar. Como estou sozinha, mas na canção a minha desolação é a minha alegria. Era dez de Maio como tinha sido o nono, o oitavo. A mãe dormia na sua cama, com os braços estendidos, a cabeça entre eles balanceava. Louise Glück poems | Poemhunter.com The World's Poetry Archive, 2004. Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa