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Garrafa Impossível

  Recordo-a como uma lente — grossa, dimensionada - o seu pescoço o arrolhado limiar de uma câmara, a câmara um encapsulamento do navio, um rápido veleiro, gracioso e esguio, as suas velas imaculadas, os delicados fios do seu cordame. Esse tipo de vidro verde que a minha mãe tinha apenas visto em cataventos ou como parte decorativa de um pára-raios, o vidro, a prova esculpida de sobrevivência de um impacto que ainda não tinha acontecido. … Quando era pequena, conduzimos apenas uma vez até ao oceano, todos tínhamos medo desse tipo de água, desse horizonte. No dia em que partimos para casa, disse-me para encher uma garrafa com ar, para roubar outras como recordação para abrir e respirar numa noite de inverno quando a janela do meu quarto no sótão me trancaria e ameaçaria fazer-me esquecer esse dia, o seu ar perigoso. … E lembra-se com exactidão de como o navio aí entrou - suspenso, engarrafado contra o vento e a água,...