A Arte Negra

Uma mulher que escreve sente demais,
esses transes e presságios!
Como se ciclos e crianças e ilhas
não fossem suficientes; como se enlutados 
e intriguistas 
e os legumes nunca fossem suficientes.
Ela pensa que pode avisar as estrelas.
Um escritor é essencialmente um espião.
Querido amor, sou essa rapariga. 

Um homem que escreve sabe demais,
tal como feitiços e fetiches!
Como se erecções e congressos e produtos
não fossem suficientes; como se máquinas 
e galeões
e as guerras nunca fossem suficientes.
Com móveis usados ​​faz uma árvore.
Um escritor é essencialmente um bandido.
Querido amor, és esse homem. 

Nunca nos amamos,
odiando até os nossos sapatos e chapéus,
nós não amamos, precioso, precioso.
As nossas mãos são azuis claras e gentis.
Os olhos cheios de confissões terríveis.
Quando estamos em demasia,
as crianças partem enojadas.
Há muita comida e ninguém sobrou
para comer toda a estranha abundância.




The Complete Poems | Anne Sexton
Prefácio de Maxine Kumin
Houghton Mifflin Company Boston, 1981.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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