Descalça

Amar-me pelas minhas exibições 
significa amar as minhas longas pernas bronzeadas,
queridos doces, tão bons quanto colheres;
e deixar os meus pés, essas duas crianças
sair nus para brincar. Nódulos intrincados,
os  meus dedos do pé. Não mais limitados.
E mais, vê as as minhas unhas e todos
os dez pés dos pés, raiz por raiz.
Espirituoso e selvagem, este pequeno
porquinho foi ao mercado e nele me tornei.
Longas pernas e longos dedos bronzeados.
Mais acima, meu querido, a mulher
está chamar os seus segredos, casinhas,
pequenos mexericos que lhe contam. 

Não há ninguém além de nós
nesta casa cuspida pela terra.
O mar tem um sino no umbigo.
E sou a tua puta descalça toda
a semana. Preocupa-te o salame?
Não. Preferes não beber uísque?
Não. Realmente não bebes. Mas
bebes-me. Gaivotas matam peixes,
chorando como crianças de três anos.
O surf é um narcótico, gritando,
eu sou, eu sou, eu sou
durante toda a noite. Descalça,
tamborilo para cima e baixo em tuas costas.
De manhã corro de porta em porta
da cabana brincando ao jogo do apanha.
Agora agarras-me pelos tornozelos.
Agora abres caminho até às pernas
e trespassas o meu sinal de fome.




The Complete Poems | Anne Sexton
Prefácio de Maxine Kumin
Houghton Mifflin Company Boston, 1981.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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