E deverei então, Dor, de facto, viver contigo
E deverei então, Dor, de facto, viver contigo,
Por toda a minha vida? - partilhando o fogo, a cama,
Partilhando - oh, o pior de tudo! — a mesma cabeça? -
Quando me alimentar, alimentar-te-ei também?
Assim seja, então, se o que parece verdade, é verdadeiro:
Vamos jantar, companheira, e ser alimentadas;
É-me interdito morrer até que tu própria morras,
E, contigo vivendo, posso ir vivendo a vida.
Porém, fazes-me mal, hóspede indelicado,
Quando espias os meus ofícios ardentes
Com gélido aspecto; roubando as noites de descanso;
E tornando mais difíceis, as coisas que me são fáceis.
Irás morrer comigo: vou, na melhor hipótese,
Perdoar-te com reserva, por acções como essas.
MINE THE HARVEST (1954)
Edna St. Vincent Millay Selected Poems
J. D. McClatchy editor | American Poets Project
The Library of America © Copyright 2003
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa
Por toda a minha vida? - partilhando o fogo, a cama,
Partilhando - oh, o pior de tudo! — a mesma cabeça? -
Quando me alimentar, alimentar-te-ei também?
Assim seja, então, se o que parece verdade, é verdadeiro:
Vamos jantar, companheira, e ser alimentadas;
É-me interdito morrer até que tu própria morras,
E, contigo vivendo, posso ir vivendo a vida.
Porém, fazes-me mal, hóspede indelicado,
Quando espias os meus ofícios ardentes
Com gélido aspecto; roubando as noites de descanso;
E tornando mais difíceis, as coisas que me são fáceis.
Irás morrer comigo: vou, na melhor hipótese,
Perdoar-te com reserva, por acções como essas.
MINE THE HARVEST (1954)
Edna St. Vincent Millay Selected Poems
J. D. McClatchy editor | American Poets Project
The Library of America © Copyright 2003
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa