Egipto
(Para E. A. Poe)
O Egipto nos enganou,
porque o Egipto tomou
com engenho e astúcia
o nosso tesouro e esperança,
O Egipto nos mutillou,
ofereceu sonho em vez de vida,
um opiáceo para um beijo,
e a morte para ambos.
Branca flor venenosa que amamos
e a negra ponta aguçada
de um arbusto não colhido -
(uma especiaria - ou sem sabor -
nos perguntamos - então pedimos
a outros para beber e saborear
e assistimos à sua morte)
O Egipto que amamos, apesar de o odiarmos
deveria ter retido o nosso toque.
O Egipto deu-nos o conhecimento,
e transportamos, cegamente,
por falta de coração,
o que o Egipto nos deu;
conhecendo todo o veneno,
o que era isso ou aquilo,
mais ou menos perigoso,
do que isso ou aquilo.
Nós te supilcamos, Egipto,
por que destino perverso,
vem o veneno com o conhecimento,
que nos deste -
não dias de transe,
sombra, predestinação de morte,
mas grave pensamento apaixonado,
crença reforçada,
ritual devolvido e magia;
Mesmo no negro poço extremo
do conhecimento proibido,
o olhar da sabedoria,
os olhos cinzentos seguindo
no meio do deserto -
uma grande haste de rosa,
fogo derramado em nosso caminho,
sobre a face cinzenta, uma luz,
Hélade da morte renascida.
Hymen (1921)
Collected Poems (1925)
H. D. Collected Poems 1912-1944
Edição de Louis L. Martz
New Directions Paperbook 661, 1986.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa