Hermes dos Caminhos

 A areia dura quebra,
e os seus grãos
são claros como o vinho.

Longe dessas léguas,
o vento,
brincando na imensa praia,
faz pequenos montes,
e as grandes ondas
quebram-se sobre eles.

Mais do que as muitas formas espumosas
do mar,
conheço-o
dos caminhos triplos,
Hermes,
aquele que espera.

Dúbio,
enfrentando três caminhos,
acolhe os viajantes,
aquele a quem o pomar do mar,
abriga do poente,
do oriente
resiste ao vento do mar;
frente às grandes dunas.

O vento corre
sobre as dunas,
e a relva áspera e com crosta de sal
responde.
Ei,
chicoteia em volta dos meus tornozelos!


II


Pequeno é
este riacho branco,
fluindo abaixo do solo
da colina sombreada de álamos,
mas a água é doce.

As maçãs nas pequenas árvores
são difíceis de encontrar,
muito pequenas,
amadureceram muito tarde
por um sol desesperado
lutando através da névoa do mar.

Os galhos das árvores
são torcidos
por muitas erosões;
torcidos são
os galhos de pequenas folhas.

Mas a sua sombra
não é sombra de mastro
nem de velas rasgadas.

Hermes, Hermes,
o grande mar espumava,
sobre mim rangia os dentes;
e de dor gritaste,
onde as ervas marinhas encontram
a relva da costa.




Sea Garden (1916)
Collected Poems (1925)
H. D. Collected Poems 1912-1944
Edição de Louis L. Martz
New Directions Paperbook 661, 1986.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa

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