Mulher com Cinta

A tua barriga cede em direcção aos joelhos;
a tua respiração deita-se no ar,
os teus mamilos como se fossem livres
como estrelas do mar quente.
Estás dentro da tua caixa elástica,
não desistes ainda do recém-nascido
e a caixa
Move-se, puxas a roupa para baixo
para baixo desse pargo rosa e devorador, 
enquanto a tua barriga, macia como pudim,
desliza para o espaço vazio;
para baixo, sobre a marca cuidadosa do cirurgião,
para baixo sobre os quadris, essas almofadas de cabeça
e almofadas de boca,
câmera lenta como um rolo de massa,
sobre cabelos crespos, aquele campo incrível
que esconde o teu talento do teu patrono;
sobre coxas, grossas como leitões,
sobre os joelhos como pratos,
sobre bezerros, polidos como couro,
para baixo em direcção aos pés.
Fazes por um momento uma pausa,
amarrando em nós os tornozelos.
Agora levantas-te,
uma cidade do mar,
nascida muito antes de Alexandria,
vieste directamente de Deus 
em tua pele redentora.




The Complete Poems | Anne Sexton
Prefácio de Maxine Kumin
Houghton Mifflin Company Boston, 1981.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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