O Beijo

A linha da boca floresce como um corte.
Fui injustiçada o ano todo, fastidiosas
noites, nada além de cotovelos ásperos 
e delicadas caixas de Kleenex chamando chorona,
chorona, sua louca! 

Antes o meu corpo era inútil.
Agora rasga-se em seus cantos quadrados.
Rasga-se nas roupas da velha Mary, nó a nó
e vê – Agora está cheio desses parafusos eléctricos.
Silvo! Uma ressureição! 

Era uma vez uma barca, inteira de madeira
e sem negócios, sem água salgada sob ela
e precisando de uma pintura. Nada era senão
um conjunto de placas. Mas içaste-a, manipulaste-a.
Tinha sido eleita. 

Os meus nervos estão ligados. Ouço-os como
instrumentos musicais. Onde havia silêncio, 
os tambores, as cordas tocam incuravelmente Isso fizeste.
Génio puro a trabalhar. Querida, o compositor lançou-se
para o fogo.




The Complete Poems | Anne Sexton
Prefácio de Maxine Kumin
Houghton Mifflin Company Boston, 1981.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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