Todas as Montanhas
"Dá-me todas as montanhas." - Hino a Ártemis
Dá-me todas as montanhas:
cidade,
vila,
o precinto
do templo,
o portão da vila sobrelotado,
Não sinto amor por:
paredes que esmagam ou escondem
seja o mercado,
o tribunal do palácio
ou o precinto:
dá-me o caminho frio do rio,
o bosque dos pinheiros,
para jardim e terraço
não reclamado,
sombrias
terras selvagens
da montanha.
Não me dês terra,
amassada, esmagada
com a camada bruta
de um quadrado ajustado
ou comprimento medido,
mas pedregulhos
não lavrados
e separados
como altares secretos,
altos no mais adorável
bosque de amieiros
ou choupos;
dá-me para o fogo do altar
a azálea selvagem;
e deixa Febo manter
o férvido mercado.
Dá-lhe a mármore branca,
dá-lhe o branco luminoso
do alpendre de abrigo,
o pilar esculpido,
o pórtico;
dá-lhe o cais,
o cais,
a rua,
o mercado,
a esquina da rua
e a esquina da rua;
nada disso invejo,
meu fogoso irmão,
que considera justo
o poder da neve,
bem definida
no seio do ar.
Mármore das ilhas,
neve de picos distantes,
ameaçados com ondas de pinheiro,
com aguaceiros de amieiro;
as minhas ilhas
mudam e mudam,
ora aqui, ora ali,
deslumbrantes,
brancas,
granito,
prata
em éter azul;
e desafio
quem trilha caminhos de montanha como ar.
Deixa Febo o mercado manter,
deixa o Amor branco
reclamar todas as ilhas
do porto ou do rio,
lutaria por eles?
não,
Prefiro lamentar-te, meu irmão,
lamentar o branco e apaixonado Amor
que apenas conhece
os sussurros
de mares inquietos e falhados,
(tremendo nas varandas
de ar amargo);
ah Zeus,
enobrece,
abriga estes
teus filhos,
mas dá-me as ilhas do mais alto ar,
todas as montanhas
e as imponentes árvores da montanha.
Red Roses for Bronze (1931)
H. D. Collected Poems 1912-1944
Edição de Louis L. Martz
New Directions Paperbook 661, 1986.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa