Uma Maldição contra Elegias
Ó amor, por que discutimos assim?
Estou cansado de toda a tua piedosa conversa.E ainda mais, estou cansada de todos os mortos.
Eles recusam-se a ouvir,
Então deixa-os em paz.
Tira o pé do cemitério,
estão ocupados em ser mortos.
Toda a gente era sempre culpada:
a quinta rodada vazia de bebida,
estão ocupados em ser mortos.
Toda a gente era sempre culpada:
a quinta rodada vazia de bebida,
os pregos enferrujados e penas de galinha
colados na lama na porta dos fundos,
os vermes que viviam sob a orelha do gato
e o pregador de lábios finos
que se recusou a telefonar
excepto uma vez num dia cheio de pulgas
colados na lama na porta dos fundos,
os vermes que viviam sob a orelha do gato
e o pregador de lábios finos
que se recusou a telefonar
excepto uma vez num dia cheio de pulgas
quando veio arrastando-se pelo quintal
procurando um bode expiatório.
Escondi-me na cozinha debaixo do saco de trapos.
procurando um bode expiatório.
Escondi-me na cozinha debaixo do saco de trapos.
Recuso-me a lembrar os mortos.
Os mortos aborrecem-se com tudo isso.
Mas tu - segues em frente,
vai, vai de regresso
até ao cemitério,
deita-te onde achas que os seus rostos estão;
fala de novo com os teus maus e velhos sonhos.
Os mortos aborrecem-se com tudo isso.
Mas tu - segues em frente,
vai, vai de regresso
até ao cemitério,
deita-te onde achas que os seus rostos estão;
fala de novo com os teus maus e velhos sonhos.
The Complete Poems | Anne Sexton
Prefácio de Maxine Kumin
Houghton Mifflin Company Boston, 1981.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa
Houghton Mifflin Company Boston, 1981.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa