À Puta que levou os Meus Poemas

alguns dizem que devemos manter o remorso pessoal do
poema,
permanecer abstracto, e há alguma razão nisso,
mas jesus:
doze poemas se foram e não guardo cópias e tens
também 
as minhas pinturas, as melhores; é sufocante:
está a tentar esmagar-me como o resto delas?
porque levaste o meu dinheiro? elas costumam tirá-lo 
das calças bêbadas que dormem ao canto.
da próxima vez leva o meu braço esquerdo ou uns cinquenta 
mas não os meus poemas:
não sou Shakespeare
mas às vezes simplesmente
não haverá mais, abstractos ou não;
sempre haverá dinheiro e prostitutas e bêbados
até a última bomba,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas,
vejo onde fiz muitos poetas
mas nem tanta
poesia.





Charles Bukowski poems | Poemhunter.com 
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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