Consumação da Dor

Até ouço as montanhas
o modo como riem
acima e abaixo das encostas azuis
e abaixo na água
o peixe chora
e a água
são as suas lágrimas.
Escuto a água
nas noites em que bebo fora
e a tristeza cresce tanto
Ouço-a no meu relógio
torna-se um botão na minha cómoda
torna-se um papel no chão
torna-se uma calçadeira
um bilhete de lavanderia
torna-se
o fumo do cigarro
escalando uma capela de escuras vinhas... 
pouco importa
muito pouco amor não é assim tão mau
ou muito pouca vida
o que conta
nas paredes espera
nasci para isso
nasci para derrubar rosas nas avenidas dos mortos.





Charles Bukowski poems | Poemhunter.com 
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa

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