Liberdade

bebeu vinho a noite toda do
dia 28, e não parava de pensar nela:
a maneira como andava e falava e amava
a maneira como lhe disse as coisas que pareciam verdade
mas não eram, e ele sabia a cor de cada
um dos seus vestidos 
e dos seus sapatos - conhecia a altura e a curva de
cada salto
bem como a perna moldada dela.
ela estava de novo ausente e quando chegasse a casa, de novo
voltaria com aquele especial cheiro,
e assim fez
chegou às 3 da manhã
imunda como um porco comendo esterco
e
ele pegou numa faca de talhante
e ela gritou
encostada à parede da casa 
ainda de alguma forma bonita
apesar do fedor de amor
e ele terminou o copo de vinho.
aquele vestido amarelo
o seu favorito
e ela gritou novamente.
e ele pegou na faca
e soltou o cinto
e rasgou a roupa diante dela
e cortou as suas bolas.
e pegou-lhes com as mãos
como damascos
e descarregou-as
na sanita
e ela continuou a gritar
enquanto o quarto ficou vermelho
DEUS Ó DEUS!
O QUE É QUE FIZESTE?
e ele sentou-se segurando 3 toalhas
entre as pernas
sem se importar se ela tinha saído ou
ficado
se usava amarelo ou verde ou
mesmo nada.
com uma mão segurando e outra
levantando derramou
outro vinho





Charles Bukowski poems | Poemhunter.com 
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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