O Génio da Multidão

há traição suficiente, violência absurda ódio na mediania do
ser humano para fornecer qualquer exército em qualquer dia

e os melhores no assassínio são os que pregam contra ele
e os melhores no ódio são os que pregam o amor
e os melhores na guerra finalmente são os que pregam a paz

aqueles que pregam deus, precisam de deus
quem prega a paz não tem paz
quem prega a paz não tem amor

cuidado com os pregadores
cuidado com os eruditos
cuidado com os que estão sempre a ler livros
cuidado com os que detestam a pobreza
ou se orgulham disso
cuidado com os rápidos em elogiar
porque precisam em troca de elogios
cuidado com os que são rápidos em censurar
porque têm medo do que não sabem
cuidado com os que procuram constantemente multidões
porque sozinhos nada são
cuidado com o homem mediano a mulher mediana
cuidado com o amor deles, o amor deles é mediano
procuram a mediania

mas há génio em seu ódio
há génio suficiente em seu ódio para matarem
matarem qualquer um
não querendo solidão
não entendendo a solidão
vão tentar destruir qualquer coisa
que seja diferente da sua
não ser capaz de criar arte
não vão entender a arte
vão considerar o seu fracasso como criadores
apenas como um fracasso do mundo
por não serem capazes de amar plenamente
vão acreditar que o seu amor está incompleto
e então vão odiar-te
e o seu ódio será perfeito
como um diamante brilhando
como uma faca
como uma montanha
como um tigre
como cicuta
a sua melhor arte.





Charles Bukowski poems | Poemhunter.com 
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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