Quem está no ponto esquerdo crucial da bacia hidrográfica

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Quem está no ponto esquerdo crucial da bacia hidrográfica,
Na estrada molhada entre a relva escaldante
Abaixo de si vê solos lavados e desarmados,
Trechos de trilhos correndo para a floresta,
Uma indústria desde já coma,
Ainda que em escassez vivendo. Um motor em ruínas
Em Cashwell aumenta a água; por dez anos
Repousou em obras inundadas,
O seu último ofício, executado a contragosto,
E além aqui e ali, apesar de muitos mortos
Jazerem sob o solo pobre, alguns actos são escolhidos
A partir de invernos recentes; dois havia que
Limparam um eixo danificado manualmente, segurando
O guincho de que o vendaval os arrancaria; um morreu
Durante uma tempestade, nas colinas intransitáveis,
Não em sua aldeia, mas em silhueta de madeira
Através de longos níveis abandonados abriu caminho
E em seu vale final mergulhou no chão.

Vai para casa, agora, estrangeiro, orgulhoso do teu novo capital,
Estrangeiro, volta ainda de novo, frustrado e vexado:
Esta terra, interrompida, não comunicará,
Não é substância acessória para alguém
Fútil, para as aparências mais lá do que aqui.
As vigas do teu carro podem atravessar a parede do quarto,
Mas não acordam quem dorme; podes ouvir o vento
que chega expulso do mar que ignora
Ferir-se na vidraça, na casca do olmo
Onde a seiva surge inabalável, sendo Primavera;
Mas pouco mais. Perto de ti, mais altos do que a relva,
Os ouvidos sopesam antes de decidir, farejando o perigo.


Agosto de 1927




W. H. Auden | Selected Poems, New Version
Editado por Edward Mendelsen
Vintage Books, Random House, 1979.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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