Anáfora

Cada dia com tanta cerimónia
começa, com pássaros, com sinos,
com apitos de fábrica;
tantos céus de ouro branco que nossos olhos
em primeira mão abrem, tais paredes brilhantes
que por um momento nos interrogamos
"De onde vem a música, a energia?
O dia foi criado para que qualquer inefável criatura
perdessemos?" Oh prontamente
aparece e assume a sua natureza terrena
      e logo, logo cai
      vítima de uma longa intriga,
      assumindo a memória e a mortal
      fadiga de morte.

Mais lentamente caindo à vista de todos
e derramando-se em pontilhados rostos,
escurecendo, condensando toda a sua luz;
apesar de todos os sonhos
se dissiparem em si com esse olhar,
sofre os nossos usos e abusos,
naufraga na deriva dos corpos,
naufraga na deriva de classes
à noite para o mendigo no parque
que, cansado, sem lâmpada ou livro
      prepara prodigiosos estudos:
      o ardente evento
      de cada dia numa infinita
      aceitação infinita.




Elizabeth Bishop poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa

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