O Descrente

Ele dorme no cimo de um mastro. John Bunyan


Ele dorme no cimo de um mastro
com os olhos bem cerrados.
As velas caem abaixo dele
como os lençóis de sua cama,
o ar da noite na cabeça que dorme.

Adormecido, foi até aí transportado,
adormecido enrolou-se 
numa bola dourada acima do mastro,
ou saltou para dentro de
um pássaro dourado, ou cego nele se montou.

"Estou sentada em pilares de mármore",
disse uma nuvem."Nunca me mexo.
Estás a ver os pilares aí no mar?”
Segura na introspecção
perscruta os pilares aquosos do seu reflexo.

Uma gaivota que sobre ele voava
observou que o ar
era "como mármore". Ele disse: "Aqui em cima
Elevo-me até ao céu
nas asas de mármore do cimo da minha torre."

Mas ele dorme no cimo do seu mastro
com os olhos bem cerrados.
A gaivota perguntou em seu sonho
pelo que sonhava: "Não devo cair.
O mar revolto abaixo quer que eu caia.
É duro como diamantes; a todos quer destruir."




Elizabeth Bishop poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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