O Icebergue Imaginário
Preferimos ter o icebergue do que o navio,
ainda que significasse o fim da viagem.
Ainda que imóvel como uma rocha nublada
e todo o mar fosse mármore em movimento.
Preferimos ter o icebergue do que o navio;
preferimos possuir essa planície de neve que respira
ainda que as velas estivessem erguidas sobre o mar
como a neve edificada jaz sobre a água.
Ó solene campo flutuante,
tens consciência de que um icebergue descansa
contigo, e quando acordar pode pastorear em tuas neves?
Esta é a cena pela que um marinheiro daria os seus olhos.
O navio é ignorado. O icebergue sobe
e de novo se afunda; os seus pináculos vítreos
são elípticas perfeitas no céu.
Esta é a cena onde aquele que pisa as tábuas
é ingenuamente retórico. A cortina
é leve o suficiente para subir em cordas mais finas
que as arejadas piruetas da neve lhe dão.
A inteligência desses picos brancos
luta contra o sol. O seu peso o icebergue ousa,
sobre um palco mutável, afrontar e levantar.
O icebergue corta a suas facetas por dentro.
Como jóias de um túmulo
salva-se perpetuamente e adorna-se
somente a si, talvez com as neves
que tanto nos surpreendem deitadas no mar.
Adeus, dizemos, adeus, o navio parte
onde as ondas cedem às ondas umas às outras
e as nuvens correm num céu mais ardente.
Os icebergues convivem com a alma
(sendo ambos gerados por si desde elementos menos visíveis)
para que se mostrem: carnudos, justos, erectos, indivisíveis.
Elizabeth Bishop poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa
ainda que significasse o fim da viagem.
Ainda que imóvel como uma rocha nublada
e todo o mar fosse mármore em movimento.
Preferimos ter o icebergue do que o navio;
preferimos possuir essa planície de neve que respira
ainda que as velas estivessem erguidas sobre o mar
como a neve edificada jaz sobre a água.
Ó solene campo flutuante,
tens consciência de que um icebergue descansa
contigo, e quando acordar pode pastorear em tuas neves?
Esta é a cena pela que um marinheiro daria os seus olhos.
O navio é ignorado. O icebergue sobe
e de novo se afunda; os seus pináculos vítreos
são elípticas perfeitas no céu.
Esta é a cena onde aquele que pisa as tábuas
é ingenuamente retórico. A cortina
é leve o suficiente para subir em cordas mais finas
que as arejadas piruetas da neve lhe dão.
A inteligência desses picos brancos
luta contra o sol. O seu peso o icebergue ousa,
sobre um palco mutável, afrontar e levantar.
O icebergue corta a suas facetas por dentro.
Como jóias de um túmulo
salva-se perpetuamente e adorna-se
somente a si, talvez com as neves
que tanto nos surpreendem deitadas no mar.
Adeus, dizemos, adeus, o navio parte
onde as ondas cedem às ondas umas às outras
e as nuvens correm num céu mais ardente.
Os icebergues convivem com a alma
(sendo ambos gerados por si desde elementos menos visíveis)
para que se mostrem: carnudos, justos, erectos, indivisíveis.
Elizabeth Bishop poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa