Uma Arte
A arte de perder não é difícil de dominar;
tantas coisas há que parecem ter a intenção
de se perder que a perda não é um desastre,
Perde algo todos os dias. Aceita a agitação
das chaves da porta perdidas, a hora mal gasta.
A arte de perder não é difícil de dominar.
Então pratica perder ainda mais, perder mais rápido:
lugares, e nomes, e a onde pretendeste
viajar. Nada disso trará algum desastre.
Perdi o relógio da minha mãe. E olha! A minha última,
tantas coisas há que parecem ter a intenção
de se perder que a perda não é um desastre,
Perde algo todos os dias. Aceita a agitação
das chaves da porta perdidas, a hora mal gasta.
A arte de perder não é difícil de dominar.
Então pratica perder ainda mais, perder mais rápido:
lugares, e nomes, e a onde pretendeste
viajar. Nada disso trará algum desastre.
Perdi o relógio da minha mãe. E olha! A minha última,
ou a penúltima de três casas amadas se foi.
A arte de perder não é difícil de dominar.
Perdi duas cidades, belas. E, ainda mais,
alguns campos que possuía, dois rios, um continente.
Sinto-lhes a falta, mas não foi um desastre.
- Mesmo perdendo-te (a voz jocosa, um gesto
de amor) não teria mentido. É evidente que
a arte de perder não é muito difícil de dominar
embora possa parecer (Escreve!) um desastre.
Elizabeth Bishop poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa
Perdi duas cidades, belas. E, ainda mais,
alguns campos que possuía, dois rios, um continente.
Sinto-lhes a falta, mas não foi um desastre.
- Mesmo perdendo-te (a voz jocosa, um gesto
de amor) não teria mentido. É evidente que
a arte de perder não é muito difícil de dominar
embora possa parecer (Escreve!) um desastre.
Elizabeth Bishop poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa