Quando olho as estrelas, deveras sei

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O Mais Gracioso


Quando olho as estrelas, deveras sei que,
Por mais que importe, posso ir para o inferno,
Pois na terra a indiferença é a menor coisa
Que temos a temer na besta ou no homem.

Gostaríamos que fossem estrelas a acender
Uma paixão em nós que não retribuíssemos?
Se uma afeição igual não puder existir,
Deixem que seja o mais gracioso.

Admirador como penso que sou
De estrelas que não dão quase luz,
Não posso, agora que as vejo, afirmar 
Que o dia inteiro uma delas ignorei.

Se cada estrelas se ocultasse ou morresse,
Deveria aprender a olhar para um céu vazio
E sentir a sua total escuridão sublime,
Ainda que me custasse algum tempo.


? Setembro de 1957




W. H. Auden | Selected Poems, New Version
Editado por Edward Mendelsen
Vintage Books, Random House, 1979.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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