Uma noite sem nuvens como esta
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Caminhada Após Anoitecer
Uma noite sem nuvens como esta
Pode elevar o espírito;
Depois de um dia fatigante
O espectáculo do relógio
Impressiona com algum tédio
Ao estilo do século Dezoito.
Tranquilizou a adolescência
A ter um olhar sem vergonha;
As coisas que fiz não poderiam
Ser tão chocantes quanto diziam
Se este ainda lá se encontrava
Após a morte de quem se chocava.
Agora, impreparado para morrer
Mas já vivendo essa época em
Que se começa a desgostar de jovens,
Estou feliz por esses pontos no céu
Poderem ser também contados entre
As criaturas de meia-idade.
É mais confortante pensar na noite
Como um Lar de Idosos e não
Um armazém de impecáveis máquinas,
Que a luz vermelha pré-Cambriana
se foi como a Roma Imperial
Ou eu mesmo aos dezessete anos.
Ainda por mais que gostemos
Da estóica maneira com que
Os autores clássicos escreviam,
Só os jovens e os ricos homens
Têm bravura ou presença para atacar
A nota lacrimae rerum.
Para o estrageiro o presente segue
Como o passado, de novo injustiçados
Vão choramingando e são ignorados,
E a verdade já não pode ser ocultada;
Alguém escolheu a sua dor,
O que não era para ser aconteceu.
Ocorrendo nessa mesma noite
Por nenhuma regra estabelecida,
Algum evento já pode ter lançado
O seu primeiro pequeno Não à direita
Das leis que aceitamos para a escola
No nosso mundo pós-diluviano:
Mas as estrelas abrasam em cima,
Inconscientes dos últimos fins,
Quando regresso a casa para dormir,
Interrogando que julgamento espera
A minha pessoa, os meus amigos,
E esses Estados Unidos.
Agosto de 1948
W. H. Auden | Selected Poems, New Version
Editado por Edward Mendelsen
Vintage Books, Random House, 1979.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa