Os Navios São Preparados Em Silêncio

Amarrados na mesma argola:
A hora, a escuridão e eu,
As bússolas como falcões encapuzadas.

Agora dói-me a tua memória,
Com a onda de pedaços quebrados que do porto nunca partiram,
Em que uma vez planeámos viagens,
E vêm batendo como corações interrogando:
Que partidas houve nesta maré?

Um sopro de terra, um hálito quente,
Apertam o frio ao redor do umbigo,
Embora todas as costas, salvo a primeira, tenham sido estrangeiras,
E a primeiro só regressou a casa quando abandonada.

A nossa escolha é nossa, mas não a fizemos
Contendo como o faz o nosso destino
Circundado com perdas como com corais, e
Um destino só existe quando for alcançado.

Deixei-te a minha esperança para te lembrar de mim
Embora haja agora pouca semelhança.
Neste momento não podia acreditar em nenhuma mudança
O mastro interminavelmente
Vacilando entre as mesmas constelações,
A noite nunca retirando a sombria virtude
Do porto moldado como um coração,
O mar pulsando como um coração
O céu arqueado como um coração
Onde sei que a luz irá quebrar como um grito
Acima de uma qualquer descoberta:
"Vazio.
Vazio! Olha!"
Olha. Esta é a manhã.




W. S. Merwin poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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