89 ____________ Perfil do Rio O nosso corpo é um rio moldável Novalis Além de um tempo belicoso, trovejando colisões frontais de nuvem e rocha para cima, fenda e avalanche, país de trolls, mortal para quem respira, o rio transforma-se em paisagem abaixo da linha dissipada, onde pequenos lagos jazem congelados sob sisudos circos, sinos de cabra, quebra-ventos, varas de pescar, país de lâmpadas de mineiro, já tão à vontade com o semblante e os gestos que se tornam a sua bondade, em caudais de água, ainda anónimos, passíveis de saltar, descendo uma escada íngreme, uma região de comportas e turbinas, em espirais possíveis de explorar. Em breve de tamanho notável e causa de sujas disputas entre agências rivais, descendo uma escada íngreme, uma região de comportas e turbinas, mergulha obstinado, espumando por um desfiladeiro sinuoso entalhado em estratos, encurralado entre rochas que cobrem o céu, ladrão-barão, corda de reboque...
I Ar fresco e inacessível A flutuar na aveludada escuridão iluminada com luzes de aço azul, Mas não há respiração que agita o calor Inclinando o seu imenso peso sobre o gueto E ainda mais na rua Hester… O calor… Farejando o líquido que sai do corpo, Como uma besta que aperta a enorme barriga fumegante, Cobrindo todas as vias aéreas… O calor na rua Hester, Amontoado como uma carroça Com o todo o lixo do mundo. Corpos pendurados nas escadas de incêndio Ou a espalharem-se pelas varandas… Rostos virados para cima brilham pálidos - Rostos amarelo-arenque, manchados de bolor, E rostos húmidos de raparigas Como lírios brancos e húmidos, E rostos de crianças com bocas secas que sugam o ar como que em tectas vazias. Mulheres jovens passam em grupos, Convergindo para os fóruns e salas de reunião, Surgindo indomáveis, lentas Através da ...
Nascidos assim No meio disto Quando as caras de giz traçam sorrisos Quando a Sra. Morte dá gargalhadas Quando os elevadores entram em colapso Quando os cenários políticos se corrompem Quando o rapaz do supermercado possui diploma universitário Quando o peixe de conserva cospe a presa oleosa Quando o sol coloca a sua máscara Somos Nascidos assim No meio disto Nestas guerras cuidadosamente loucas Na visão das janelas de fábrica quebradas de vazio Em bares onde as pessoas já não falam umas com as outras Em lutas com punhos que terminam em tiroteio e facadas Nascidos no meio disto Em hospitais tão caros que é mais barato morrer Entre advogados que cobram tanto que é mais barato alegar-se culpado Num país onde as prisões estão cheias e os hospícios encerrados Num lugar onde as turbas promovem tontos a ricos heróis Nascidos no meio disto Caminhando e vivendo através disto Morrendo por causa disto Calados por causa disto Castrados Debochados ...
77 __________________________ Primeiro As Primeiras Coisas Acordado, deitei-me nos braços do meu calor e ouvi Uma tempestade gozando a sua natureza na escuridão do Inverno Até ao meu ouvido, quanto pode meio adormecido ou meio sóbrio, Começar a distinguir esse alvoroço interjectivo, Construindo as suas vogais voláteis e consoantes aquosas Num discurso de amor indicativo de um Nome Próprio. Dificilmente na língua que deveria ter escolhido, mas também Tanto como com a aspereza e falta de jeito permitiam, falava em teu louvor, Chamando-te deus-filho da Lua e do Vento Oeste Com poder para domar monstros reais e imaginários, A tua atitude de ser semelhante a um distrito montanhoso, Aqui verde por intenção, ali por acidente puro azul. Embora fosse alto, sozinho cer...