Abril
O meu desespero é como o de ninguém -
Não tens lugar neste jardim
a pensar essas coisas, a produzir
os cansativos sinais externos; o homem
a arrancar as ervas daninhas de uma floresta inteira,
a mulher coxeando, recusando-se a trocar de roupa
ou a lavar o cabelo.
Supões que me interessa
se falam um com o outro?
Quero que saibas
que esperava melhor de duas criaturas
a quem ofereceram mentes: se não
se importassem realmente um com outro
pelo menos entenderias
que a dor é distribuída
entre ti, entre toda a tua espécie, para eu
te conhecer, como um azul profundo
marca a escila selvagem, branca
a madeira violeta.
Louise Glück poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa