As Crianças Afogadas

Vê, elas não têm discernimento.
Assim, é natural que se afoguem,
primeiro o gelo leva-as para dentro
e depois, durante o inverno, os cachecóis de lã
flutuam atrás delas enquanto se afundam
até que finalmente ficam imóveis.
E o lago as levanta em seus múltiplos braços
escuros. 

Mas a morte deve chegar de forma diferente,
tão próxima do começo.
Como sempre tivessem sido
leves e cegas. Por isso,
o resto é sonhado, a lâmpada,
a bonita toalha branca que cobria a mesa,
os corpos delas. 

E ainda assim ouvem os nomes que usaram
como iscas deslizando sobre o lago:
Estás à espera de quê,
volta para casa, volta para casa, perdida
nas águas, azuis e perenes.




Louise Glück poems | Poemhunter.com 
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa

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