Carpe Diem

A Idade viu duas crianças tranquilas
Passarem amorosas ao crepúsculo.
Não sabia se iam para casa,
Ou se para fora da vila,
Ou se (os sinos tocavam) até à igreja.
Esperou (que lhes eram estranhas)
Até que estivessem fora de alcance
Para lhes desejar que fossem felizes.
“Sejam felizes, felizes, felizes,
E agarrem o dia com prazer”.
O tema antigo é o da Idade.
Foi a Idade imposta aos poemas
O seu fardo de rosas colhidas
Para alertar contra o perigo
Que amantes surpreendidos
Ao serem embriagados
De felicidade possam sentir.
E não sabem ainda o que têm.
Mas a vida agarrou o presente?
Vive-se menos no presente
Do que no futuro sempre,
E em ambos juntos menos
Do que no passado. O presente
É excessivo para os sentidos,
Demais povoado, demais confuso -
Para imaginar o presente.




Complete Poems of Robert Frost
Holt, Rinehart and Winston, 1964.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 




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Adaptação do poema a verso livre. (NdT)

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