Humificador
Desafiador do espaço fechado, como a cabeça, Capaz de abrir
As passagens seladas, para que
A luz do sol entrando pelo nariz possa uma vez mais
Sair pelo ouvido, vaporizador, máquina de névoa, cujo
Doce silvo ecoa como um outro ser humano
Mas menos errático, mais estável ou, se não como um ser humano,
Levado por um, por minha mãe para o quarto doente
Da minha infância - como Freud disse,
Por que está sempre doente, Louise? o seu charuto
Que confunde névoa com fumo, interferindo
Com a cura - Consagrado
Invocador desses fantasmas, banheira de plástico branco com o seu elegante
Balde limpo, a água sanitizada por fervura,
Estéril, inodora,
Na ausência da minha mãe
Mantida por mim, a única máquina
Entendo: o que
Seria a vida se não pudéssemos comprar
Objetos para cuidar de nós
E levá-los para casa, longe da piedade dos farmacêuticos,
Se não pudéssemos carregar em nossos próprios braços
Esmola, alquimia, para a segurança dos nossos quartos,
Se não houvesse mais
Sons à noite, contínuos
Silêncio, silêncio de vapor quente, não
Como a respiração humana, embora regular, se não houvesse nada no mundo
Mais esperançoso que o meu próprio eu,
Acalmando-o, desejando-o bem.
Louise Glück poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa