Jacinto
1
É essa a atitude para uma flor, ficar de pé
como um clube a caminhar; pobre rapaz morto
é essa a maneira de mostrar
gratidão para com os deuses? Brancas
com corações coloridos, as altas flores
balançam à tua volta, os outros rapazes
Abrem-se como violetas na primavera fria.
2
Não havia flores na antiguidade
mas corpos de rapazes, pálidos, perfeitamente imaginados.
Assim, os deuses assumiram com saudade a forma humana
No campo, em Willow Grove,
Apolo dispensou os cortesãos.
3
E do sangue da ferida
a flor brotou, como lírio, mais brilhante
do que a púrpura de Tiro.
Então o deus chorou: essa dor vital
inundou a terra.
4
A beleza morre, essa é a fonte
da criação. Fora do círculo de árvores
os cortesãos podiam ouvir
o apelo da pomba que transmitia
a sua comum e inata tristeza.
Podiam ouvir, entre o sussurro dos salgueiros.
Foi este o lamento do deus?
Ouviram com atenção. E em breve
todo o som era triste.
5
Não há outra imortalidade:
Na primavera fria, abrem-se roxas violetas.
E ainda assim, o coração é negro,
Aí existe violência francamente exposta.
Ou o coração não habita o centro
mas alguma outra palavra?
E agora alguém curva-se sobre eles,
pretendendo reuni-los
6
Não podiam esperar
no exílio para sempre.
Através do bosque cintilante
os cortesãos correram
chamando pelo nome
do seu companheiro
acima do ruído dos pássaros,
sobre a tristeza vaga dos salgueiros.
Na noite tardia choraram,
as suas lágrimas claras
nenhuma cor terrena alteraram.
Louise Glück poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa