Mãe e Filho
Somos todos sonhadores; não sabemos quem somos.
Alguma máquina nos fez; máquina do mundo, a família constritiva.
Logo, de regresso ao mundo, polida por suaves chicotes.
Sonhamos; não recordamos.
Máquina da família: pele escura, bosques do corpo da mãe.
Máquina da mãe: a cidade branca dentro dela.
E antes disso: terra e água.
Musgo entre pedras, pedaços de folhas e relva.
E antes, células numa grande escuridão.
E antes disso, o mundo velado.
É por isso que nasceste: para me silenciar.
Células da minha mãe e do meu pai, é a tua vez
de ser fundamental, de ser a obra-prima.
Improvisei; Nunca me lembrei.
Agora é a tua vez de ser conduzida;
És agora quem exige saber:
Por que sofro? Por que sou ignorante?
Células numa grande escuridão. Alguma máquina nos fez;
é a tua vez de abordá-la, voltar a perguntar
para que sou? Para que sou?
Louise Glück poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa