Matinas

Queres saber como passo o meu tempo?
Caminho pelo relvado da frente, fingindo
estar a tirar ervas daninhas. Deverias saber
que nunca arranco ervas, de joelhos, puxando 
tufos de trevo dos canteiros de flores: de facto
procuro coragem, por alguma evidência
a minha vida vai mudar, mesmo
que dure uma eternidade, a examinar   
cada tufo pela simbólica
folha, e em breve o verão termina, já
as folhas rodam, as árvores doentes
em primeiro lugar, a morte a tornar-se
amarelo brilhante, enquanto alguns pássaros escuros executam
o seu toque de recolher musical. Queres ver 
as minhas mãos?
Tão vazias agora como na primeira nota.
Ou a questão foi sempre 
continuar sem um sinal?




Louise Glück poems | Poemhunter.com 
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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