Outubro

É de novo inverno, é frio de novo,
Frank não escorregou no gelo,
não se curou, as sementes da primavera não foram plantadas 

a noite não acabou,
o gelo derretido
não inundou as estreitas sargetas 

o meu corpo não foi
resgatado, não era seguro 

a cicatriz não se formou, invisível
acima da ferida 

terror e frio,
não acabaram, não era o jardim dos fundos
gradeado e plantado - 

Lembro-me de como a terra parecia, vermelha e densa,
em fileiras rígidas, as sementes não foram plantadas,
as vinhas não escalaram a parede do sul 

Não consigo ouvir a tua voz
pelos gritos do vento, assobiando sobre o solo  aberto 

Não me importa mais
o som que é feito 

quando fui silenciada, quando me pareceu pela primeira vez
quão inútil descrever aquele som 

o que parece não pode mudar o que é - 

a noite não acabou, a terra não foi
salva quando foi plantada 

não plantámos as sementes,
não éramos necessários à terra,
as vinhas, fizémos a colheita?




Louise Glück poems | Poemhunter.com 
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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