Santas

Em nossa família, havia duas santas,
a minha tia e a minha avó.
Mas as suas vidas eram diferentes. 

A da minha avó foi tranquila, mesmo no fim.
Era como uma pessoa que caminha em águas
calmas;
por algum motivo
o próprio mar não foi capaz de a magoar.
Quando a minha tia tomou o mesmo caminho,
as ondas quebraram-se sobre ela, atacaram-na,
que é como os Fados respondem
a uma verdadeira natureza espiritual. 

A minha avó era cautelosa, conservadora:
é por isso que escapou do sofrimento.
A minha tia não escapou de nada;
cada vez que o mar recua, é-lhe levado alguém que ama. 

Ainda assim não teria experimentado 
o mar como malévolo. Para ela, é o que é:
onde toca a terra, deve transformar-se em
violência.




Louise Glück poems | Poemhunter.com 
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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