Sereia
Tornei-me criminosa quando me apaixonei.
Antes era uma empregada de mesa.
Não queria ir para Chicago contigo.
Queria casar contigo, queria
Que a tua mulher sofresse.
Queria que a vida dela fosse como uma peça
Em que todas as suas partes são tristes.
Será que uma boa pessoa
Pensa assim? eu mereço
Crédito pela minha coragem -
Sentei-me no escuro na tua varanda.
Tudo estava claro para mim:
Se a tua mulher não te deixava partir
Isso é a prova de que não te amava.
Se ela te amasse
Não gostaria que fosses feliz?
Penso agora que
Se sentisse menos, teria sido
Melhor pessoa. Eu era
Uma boa empregada de mesa.
Podia transportar oito bebidas.
Costumava contar-te os meus sonhos.
Ontem à noite vi uma mulher sentada num escuro autocarro -
No sonho, está a chorar, o autocarro em que segue, vai-se afastando.
Com uma mão
Está a acenar; a outra desfere golpes
Numa caixa de ovos cheia de bebés.
O sonho não resgata a donzela.
Louise Glück poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa