Vésperas
Na tua longa ausência, permites-me
que utilize a terra, antecipando
algum retorno sobre o investimento. Devo
reportar
as falhas da minha tarefa, principalmente
em relação à plantação de tomate.
Penso que não deveria ser encorajada a
plantar tomates.
Ou, se sou, deverias reter
as fortes chuvas, as noites frias que são
aqui tão frequentes, enquanto outras regiões têm
doze semanas de verão. Tudo isto
te pertence: por outro lado,
plantei as sementes, vi os primeiros brotos
como asas rasgando o solo, a praga quebrava
o meu coração,
a mancha negra tão rápida
multiplicando-se nas linhas. Duvido que
tenhas um coração, na asserção
do termo. Tu, que não distingues
entre os mortos e os vivos, que são, em conseqüência,
imunes a presságios, podes ignorar
o terror que suportamos, a folha manchada,
as folhas vermelhas do ácer caindo
até em Agosto, cedo na escuridão: sou responsável
por estas vinhas.
Louise Glück poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2004.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa