Negro

Eu sou um negro:

   Negro como a noite é negra,

   Negro como as profundezas da minha África.


Eu fui um escravo:

   César disse-me para manter as soleiras da sua porta limpas.

   Escovei as botas de Washington.


Já fui um trabalhador:

   Sob a minha mão surgiram as pirâmides.

   Fiz argamassa para o Edifício Woolworth.


Já fui um cantor:

   Todo o caminho de África até à Geórgia

   Carreguei as minhas canções de tristeza.


Eu toquei ragtime.


Eu fui uma vítima:

   Os belgas cortaram-me as mãos no Congo.

   Lincham-me ainda no Mississipi.


Eu sou negro:

   Negro como a noite é negra,

   Negro como as profundezas da minha África.




The Collected Poems of Langston Hughes

Arnold Rampersard Editor | David Roessel Associated Editor

Vintage Books, Random House, 1994.

Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa

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