E ut pictura Poesis é o Nome dela
Já não pode dizê-lo dessa maneira.
Incomodado com a beleza é preciso
Sair para o ar livre, para uma clareira,
E descansar. Certamente, qualquer coisa divertida que te aconteça
Está bem. Exigir mais do que isso seria estranho
De ti, tu, que tens tantos amantes,
Pessoas que o admiram e estão dispostas
A fazer coisas por ti, mas pensas que
Não está certo, se realmente te conhecessem...
Basta de auto-análise. Agora,
Sobre o que colocar no seu poema-pintura:
As flores são sempre bonitas, principalmente o delfínio.
Nomes de rapazes que conheceste e os seus trenós,
Os foguetes são bons – ainda existem?
Há muitas outras coisas da mesma qualidade
Como essas que referi. Agora é preciso
Encontrar algumas palavras importantes e muitas palavras discretas,
Essas que soam monótonas. Ela abordou-me
Sobre a compra da sua secretária. De repente a rua era
Bananas e o clangor de instrumentos japoneses.
Por todo lado se espalhavam testamentos monótonos. A sua cabeça
Trancado na minha. Éramos uma gangorra Algo
Deveria ser escrito algo sobre como isso te afecta
Quando escreves poesia:
A extrema austeridade de uma mente quase vazia
Colidindo com a folhagem exuberante, à maneira de Rousseau, do seu desejo de comunicar
Algo entre as respirações, mesmo que apenas pelo bem
Dos outros e do seu desejo de te compreender e te abandonar
Para outros centros de comunicação, para que a compreensão
Possa começar e, ao fazê-lo, ser desfeita.
John Ashbery poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2012.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa