Eco Tardio
Sozinho com a nossa loucura e flor favorita
Vemos que não há realmente mais nada sobre o que escrever.
Ou melhor, é preciso escrever sobre as mesmas coisas de sempre
Da mesma forma, repetindo as mesmas coisas vezes sem conta
Para que o amor continue e seja gradualmente diferente.
As colmeias e as formigas precisam de ser reexaminadas eternamente
E a cor do dia retocada
Centenas de vezes e variarem do verão ao inverno
Para que seja abrandado ao ritmo de uma autêntica
Sarabanda e ali se amontoam, vivos e repousados.
Só assim a desatenção crónica poderá
Das nossas vidas poderá envolver-se à nossa volta, conciliatória
E com um olho naquelas sombras longas e bronzeadas
Que falam tão profundamente ao conhecimento impreparado
De nós próprios, os motores falantes dos nossos dias.
John Ashbery poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2012.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa