Músicos de Rua

Um morreu e a alma foi arrancada

Do outro em vida, que, andando pelas ruas

Envolto numa identidade como um casaco, vê sem parar

Os mesmos cantos, volumetrias, sombras

Sob as árvores. Mais longe do que qualquer já foi

Chamado, através de ares cada vez mais suburbanos

E caminhos, com o Outono a cair sobre tudo:

A pelúcia deixa os bens em barris

De uma família obscura a ser despejada

Da maneira que era, e é. O outro bloqueou

Os vislumbres do que o outro estava a fazer:

Por fim revelações. E passaram a odiar-se e esquecer-se.


Então embrulhei este vulgar violino que sabe

Apenas melodias esquecidas, mas discute

A possibilidade de declamação livre ancorada

Num refrão monótono, o ano a girar sobre si

Em Novembro, com os espaços entre os dias

Mais literais, a carne mais visível no osso.

A nossa questão do lugar de origem paira

Como fumo: como fizemos piqueniques em pinhais,

Em enseadas com a água sempre a subir, e deixámos

O nosso lixo, esperma e excrementos por todo o lado, espalhados

Na paisagem, para fazer de nós o que pudéssemos.




John Ashbery poems | Poemhunter.com 

The World's Poetry Archive, 2012.

Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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