Uma Voz vinda da Lareira
Como uma dentadura numa loja de piadas
o destino aproxima-se, inclina-se silenciosamente. Vamos ver...
Além disso, havia a última cláusula que fazia sentido,
o que significa que não poderíamos comparar
ao que nos estava a acontecer no quarteirão.
Aproximamo-nos com alguma hesitação:
Deixem o “não me atrevo” esperar pelo “eu faria”.
Não foi em Abril? Não era mais provável que as coisas durassem
nesta ou em qualquer outra estação? Rimas de que gostamos.
Mais do que ritmo, proporcionam um salva-vidas
para saídas embaraçosas. Hum, um dia seremos também adultos,
as luzes da secretária não substituem a barcaça
enquanto se aproxima da esquina das avenidas.
Bem,
transpiramos muito. O que equivale à auto-importância.
Se o mar é vernáculo
só os heróis o podem descrever. Porque é que não me caças um?
Parece que todos correram para o outro lado
do convés, provocando alarme.
O vento encolheu os trapos que restaram.
Espera um minuto, vamos levar-te para cima.
Não faz sentido perder tempo com o pôr-do-sol em pergaminho,
ele ouve e não pode permanecer. O odor ro esbranquiçado e pegajoso
da floresta absorve os nossos ganhos num sonho.
As claras de ovo secam à temperatura ambiente.
Em meus momentos de maturidade, fui robótico como tu
mas nunca cancelei o meu interesse.
Todos tentamos começar, mas poucos passam
levianamente os primeiros dias de orientação.
O que é irónico, quero dizer, com tantos perto para projectar
iluminação ou entretenimento. Se vives
numa casa-ninho de carriças entenderás o que quero dizer.
Esta, escusado será dizer, foi a última vez
que tive notícia deles. Continuo a receber os seus panfletos
pelo correio, mas o projecto continua desabitado.
Flores e cabras enchem a entrada com algo que se
pode ver. O mar laranja impulsiona-se
ligeiramente para a frente, sempre em busca de espectadores,
mas não de pode gazer nada no caminho da autoformação.
Não esperava que fosse de outra maneira,
ainda assim não parece certo. Nem é injusto,
apenas uma pró-forma. As noites implicam estações
e muitas narrativas travessas, enquanto à luz do dia
é uma questão de estar nivelado com o pavimento.
Não te esqueças de assinalar todas as caixas
na porta da frente e deixar o troco para o leiteiro.
Pena que nos tenham visto. Como disse,
nenhum júri jamais o condenará, a ele, ou a mim.
Um ovo é um puzzle, uma árvore é uma peça desse puzzle.
Passei um tempo agradável, mas desigual.
Os meus companheiros poderiam afirmar o mesmo. Deixem-nos
saber quanto lhe devemos. O balão sobe
sobre os fetos, chaminés de chávenas de chá, meias listradas.
Adeus tão longas rodas de treino. Estou fora três semanas seguidas.
John Ashbery poems | Poemhunter.com
The World's Poetry Archive, 2012.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa