cinco vozes

 

Uma saída para todo o terror é beber:

e depois do curaçao e do gin, a tarefa matinal, que compete começar;

o fato branco como o zinco, o dia giroscópico exige olhos nivelados. Não há jeito.

Uma saída para o dilema é pensar:

acordando de noite, que se afogou em si mesma,

estuário de decisões e fauna de contradições,

ah! a beira flamejante de pensar os teus pensamentos

como bolhas de calor flutuam para fora do sono, sibilando ao acordar.

Uma saída para um ciclo sem fim é comprometer-se:

o seu cabelo fica ralo e ainda olha para as primeiras fotografias com uma

atenção impotente; o que dizem: ajustar-se: certifica-te de que mudas para

o conforto; evita ser pobre.

Uma saída para o fracasso iminente é tornar-se sábio:

que conforto mais flagrante para os fracos do que o poder que envolver a

sombra da morte?

E isto é sabedoria: não só para os santificados

mas para ti, que não aceitas a frieza de nenhuma carne ao teu lado.

Não há saída para o eu destroçado a não ser a morte:

e tudo o resto é mentira, mentira

Sei que estes sofismas assassinados persistem como a navalha regressando ao pulso

cobarde demasiado nu para o fio brilhante, a torção turva.




Harold Norse, In the Hub of Fiery Force: Collected Poems 1934-2033.

Thunder’s Mouth, 2003.

Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa

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