o velho poeta ouve
O velho poeta ouve O Lago dos Cisnes e lembra-se de dançar como quando era
magro e vigoroso.
Levanta-se, executa uma pirueta
precisa, roda
novamente, fica tonto,
quase tropeça
mas consegue de alguma forma
um gracioso arabesco.
O espelho e o silêncio no seu quarto solitário não aplaudem.
A música, porém, continua a dilacerá-lo
como um animal belo e mortal perante o qual se sente indefeso.
Geme, recordando em excesso, e desliga a música.
23.vi.80 / Monte Rio
Harold Norse, In the Hub of Fiery Force: Collected Poems 1934-2033.
Thunder’s Mouth, 2003.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa