A Deusa Branca

Todos os santos a desprezam, e todos os homens sóbrios

Dominados pela medida aúrea do deus Apolo -

Em desprezo da qual naveguei para a encontrar

Por regiões distantes, onde provavelmente residiria

A quem acima de tudo, desejava conhecer,

Irmã da miragem e do eco


Foi uma virtude não permanecer,

Seguir o meu caminho impetuoso e heróico

Procurando-a no topo do vulcão.

Entre o gelo compacto, ou onde o rasto se apagava

Para além da caverna dos sete adormecidos:

Cuja testa larga e alta era branca como a de qualquer leproso

Cujos olhos eram azuis, com lábios cor de sorveira.

Com cabelos encaracolados cor de mel até aos brancos quadris


A seiva verde da primavera agita-se na jovem floresta

Celebrando a Montanha Mãe,

E cada pássaro canoro grita um canto por ela;

Mas sou agraciado, mesmo em Novembro,

A mais pura das estações, com uma imensa sensação

Da sua magnificência desnudada

Esqueço a crueldade e a traição passada.

Sem me importar onde o próximo raio de luz possa cair




Robert Graves in Collected Poems 1959, Cassel & Company Ltd, 1959.

Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa


Outros poemas

Memorando

Por Minha Própria Conta

Além de um tempo belicoso, trovejando

O Gueto

Barba Azul

Dinosauria, Nós

Insónia

Num Poema

Acordado, deitei-me nos braços do meu calor e ouvi