Amor Perdido
Os seus olhos estão tão vivos de tristeza,
Que pode observar a erva ou a folha
Crescer a cada instante; pode
Ver claramente através de uma parede de sílex,
Ou observar o espírito assustado a fugir
Da garganta de um morto.
Consegue ouvir em dois condados diferentes,
E captar as tuas palavras antes de falar.
O bicho-de-conta ou o fraco clamor da larva
Ressoa no seu triste ouvido;
E um ruído tão subtil que desafiaria
A crença: - o som da erva a beber água,
A conversa das minhocas, o ruído das mandíbulas da traça
A abrir buracos no tecido:
O gemido das formigas que carregam
Cargas gigantescas por amor à honra -
Os seus tendões rangem, a sua respiração enfraquece:
O zumbido das aranhas quando tecem,
E os sussurros minúsculos, murmúrios, suspiros
De larvas e moscas ociosas.
Este homem está tão tomado pela dor,
Que vagueia como um deus ou um ladrão
Por dentro e por fora, em baixo, em cima,
Sem alívio, procurando o amor perdido.
Robert Graves in Collected Poems 1959, Cassel & Company Ltd, 1959.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa