"Onde é que vais?" disse o leitor ao cavaleiro

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"Onde é que vais?" disse o leitor ao cavaleiro,
"Esse vale fatal é onde as fornalhas queimam,
Aí está a lixeira e seus odores que enlouquecem,
Esse abismo é o túmulo onde os altivos regressam."

"Será que imaginas", disse o temeroso ao viajante,
"O crepúsculo adia o caminho para o desfiladeiro,
O teu olhar diligente irá descobrir o que falta
Os passos que sentem do granito até à relva?"

"O que era esse pássaro", disse o horror ao ouvinte,
"Viste essa forma nas árvores distorcidas?
Atrás de ti rápida e suavemente vem a figura,
O sinal na tua pele é qualquer doença perigosa?"

"Fora desta casa" - disse o cavaleiro ao leitor
"Tua nunca será" - disse o viajante ao temeroso
"Estão à tua procura" - disse o ouvinte ao horror. 
Então ali os deixei ficar, então os deixei ficar.


de "Os Oradores": Outubro de 1931






W. H. Auden | Selected Poems, New Version
Editado por Edward Mendelsen
Vintage Books, Random House, 1979.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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