Deusas-Gato

Um hábito perverso das deusas-gato -

Até as mais negras, negras como brasas

Excepto por uma lua nova brilhando em cada peito,

Com línguas cor de coral e olhos de berilo como lâmpadas,

De pernas longas, andando ao ritmo de três por três em noves -

Têm por hábito obstinado o de se entregarem,

Em êxtases de amor verosímeis,

A gatos de rua de orelhas esfarrapadas e sorrateiros

Não menos abaixo da classe comum dos gatos

Do que acima dela; o que fazem por despeito,

Para provocar ciúmes - nem um pouco envergonhadas

Por tais ninhadas de cabeças grosseiras e cor de coelho

Das quais logo se alegrariam em desertar




Robert Graves in Collected Poems 1959, Cassel & Company Ltd, 1959.

Versão Portuguesa de © Luísa Vinuesa

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